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Almanaque dos Papas

Júlio II era chamado de “papa guerreiro”

Julio II era chamado de "papa guerreiro"

Júlio II (pontificado de 1503 a 1513) ficou conhecido como o “papa guerreiro”, um título que refletia sua atuação direta em campanhas militares e sua determinação em consolidar e expandir o poder territorial dos Estados Papais. Nascido Giuliano della Rovere, ele não era um homem de contemplação ou teologia, mas sim de ação, diplomacia e guerra. Seu pontificado marcou uma fase crucial de transição no papado, onde o papa não apenas liderava espiritualmente, mas também se impunha como um senhor temporal e estrategista político-militar.

Logo no início de seu pontificado, Júlio II enfrentou o desafio de retomar territórios dos Estados Papais que haviam caído sob controle de famílias locais ou potências estrangeiras. Uma de suas primeiras ações foi expulsar César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, que havia estabelecido seu domínio sobre diversas regiões da Itália central. Com a queda dos Bórgia, Júlio II iniciou um esforço para retomar cidades como Perugia e Bolonha, que haviam se tornado quase independentes.

Papa guerreiro

Em 1506, Júlio II pessoalmente liderou uma expedição militar a Bolonha. Aos 63 anos de idade, montado em um cavalo branco, marchou com as tropas papais para retomar a cidade, que caiu sem grande resistência. Essa ação consolidou seu controle sobre a Emília-Romanha e foi um marco de sua imagem como líder corajoso e determinado. Era incomum — e escandaloso para alguns — que um papa empunhasse armas e comandasse exércitos, mas Júlio via essa atuação como necessária para defender os interesses da Igreja e restaurar sua autoridade temporal.

Outro episódio marcante foi a criação da Liga de Cambrai, em 1508. Júlio II se aliou à França, ao Sacro Império Romano-Germânico e à Espanha para enfrentar a República de Veneza, que controlava territórios desejados pelo papado. Após o sucesso inicial contra Veneza, Júlio inverteu suas alianças, temendo o crescimento do poder francês na Itália. Em 1511, formou a Santa Liga contra o rei Luís XII da França, agora aliado a Veneza, para expulsar os franceses da Península Itálica. Essa política de alianças mutáveis mostrava a habilidade do papa como diplomata e estrategista, agindo em nome dos interesses territoriais e políticos do papado.

Júlio II não apenas restaurou o prestígio dos Estados Papais como os expandiu, estabelecendo-os como uma potência política no cenário italiano. Seu legado como papa guerreiro também influenciou a imagem da Igreja como uma instituição de poder terreno. Ao mesmo tempo, foi o mecenas que encomendou a reconstrução da Basílica de São Pedro e patrocinou artistas como Michelangelo, provando que seu espírito combativo convivia com um apreço profundo pela arte e pela glória da Igreja.

O Papa Júlio II morreu em 21 de fevereiro de 1513, em Roma, aos 69 anos, após uma longa enfermidade agravada por crises de gota. Conhecido como o “Papa Guerreiro” por liderar campanhas militares para defender os Estados Pontifícios, Júlio II teve um papado marcado por ambição política e por seu patrocínio às artes — foi ele quem encomendou a pintura do teto da Capela Sistina a Michelangelo. Sua morte encerrou um dos pontificados mais enérgicos do Renascimento e abriu caminho para a eleição de Leão X, da influente família Médici.

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