A representação de Diana Spencer na série The Crown dividiu opiniões entre amigos da princesa e especialistas da imprensa britânica e americana. A atuação da atriz Elizabeth Debicki nas temporadas finais foi amplamente elogiada por críticos e biógrafos. Andrew Morton, autor da biografia Diana: Her True Story, descreveu a performance como “assustadoramente real”, afirmando que parecia “estar com um fantasma”. Segundo ele, Debicki captou a essência emocional da princesa com fidelidade e respeito.
Jornalistas como Katie Nicholl, da Vanity Fair, destacaram que a série oferece uma versão sensível e empática de Diana, ainda que dramatizada. O New Yorker elogiou a atuação por transmitir tanto a elegância quanto a vulnerabilidade da princesa, enquanto a Los Angeles Times reconheceu a profundidade emocional dada à personagem, especialmente nas fases de solidão e nos conflitos com a família real. Essas análises indicam que, sob o ponto de vista artístico, a série atingiu um equilíbrio tocante ao retratar a figura pública de Diana.
As críticas sobre Diana em ‘The Crown’
Contudo, nem todas as reações foram positivas. Dickie Arbiter, ex-secretário de imprensa do Palácio de Buckingham, acusou a série de transformar Diana e Charles em caricaturas, afirmando que muitos episódios foram “sensacionalistas” e historicamente distorcidos. Um exemplo disso seria a cena em que Charles supostamente questiona a saúde mental de Diana antes de uma viagem a Nova Iorque, o que, segundo Arbiter, jamais aconteceu.
Outro ponto de crítica veio de leitores e colunistas do Daily Telegraph, que apontaram um certo “tom de canonização” da personagem, sugerindo que Diana foi retratada como uma santa moderna, em contraste com os demais membros da realeza, frequentemente retratados como frios ou manipuladores. Essa polarização teria tornado o roteiro pouco equilibrado e mais voltado ao drama do que à realidade histórica.
Sofrimento excessivo
A biógrafa Penny Junor também criticou o retrato da princesa, chamando-o de “distorcido e cruel” ao enfatizar excessivamente seu sofrimento. A escritora e socialite Jemima Khan, que havia colaborado brevemente com o roteiro da série, rompeu com os produtores por considerar que a versão final da personagem era “desrespeitosa” e sem a empatia prometida. Para Khan, The Crown falhou em representar Diana com a complexidade e a dignidade que ela merecia.
Apesar das críticas, alguns episódios da série foram reconhecidos como importantes ao relembrar momentos icônicos da trajetória de Diana, como sua visita a Angola em campanha contra minas terrestres e a polêmica entrevista ao programa Panorama. Embora esses eventos sejam retratados com liberdade artística, ajudaram a reacender debates sobre sua vida e o impacto de sua atuação humanitária.
Tragédia foi retratada de modo grosseiro
Paul Burrell, ex-mordomo e confidente de Diana, demonstrou preocupação especial com a forma como o acidente que causou a sua morte foi dramatizado. Segundo ele, o episódio que aborda o trágico fim da princesa foi “grosseiro” e desnecessariamente gráfico, podendo afetar emocionalmente seus filhos, os príncipes William e Harry. Para Burrell, esse tipo de abordagem ultrapassa o limite entre homenagem e exploração.
No fim das contas, a Diana de The Crown continua gerando reações intensas. Para muitos, trata-se de uma representação poderosa, comovente e que revive aspectos marcantes de sua vida. Para outros, a série recorre ao drama fácil e sacrifica nuances históricas em favor da audiência. Entre elogios e críticas, a figura da princesa de Gales segue inspirando, emocionando — e provocando discussões — quase três décadas após sua morte.
