Aiatolá é um título religioso e acadêmico conferido aos mais altos estudiosos do islamismo xiita, especialmente dentro da vertente duodecimana (que acredita em doze imames sagrados). A palavra vem do árabe “āyat Allāh” (آية الله), que significa literalmente “sinal de Deus”. O título passou a ser amplamente usado no século XX para designar clérigos com grande autoridade teológica, moral e política dentro do Irã e de outras comunidades xiitas.
Historicamente, o xiismo se diferencia do sunismo por dar maior autoridade religiosa aos imames e estudiosos do clero. Desde os primeiros séculos do Islã, os xiitas atribuíram papel central ao conhecimento jurídico e teológico como meio de guiar a comunidade. Os aiatolás surgem como herdeiros dessa tradição, sendo estudiosos que alcançam o mais alto grau no estudo da jurisprudência islâmica (fiqh), filosofia, ética e exegese do Alcorão.
A formação de um aiatolá
A formação de um aiatolá é longa e rigorosa. Começa nos seminários religiosos, conhecidos como “hawzas”, como os de Qom (Irã) ou Najaf (Iraque), onde o aluno passa décadas estudando textos clássicos e modernos do islamismo. Ao atingir um grau elevado de domínio das ciências religiosas e ser reconhecido por seus pares, ele pode ser chamado de aiatolá. Alguns deles ainda alcançam o grau de aiatolá al-uzma, ou “grande aiatolá”, sendo autorizados a emitir interpretações legais chamadas de fatwas e a serem seguidos por fiéis como marjaʿ al-taqlīd (fonte de emulação).
No século XX, especialmente após a Revolução Islâmica do Irã em 1979, o título de aiatolá passou a ter também conotação política. O caso mais notório é o do aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do movimento revolucionário que derrubou o xá Reza Pahlavi e instaurou a República Islâmica. Khomeini desenvolveu o conceito de “velayat-e faqih” (governo do jurista islâmico), no qual um aiatolá lidera politicamente a nação com base na lei islâmica.
Desde então, o Irã tem sido governado por líderes religiosos supremos com esse título, como o atual Aiatolá Ali Khamenei. Esses líderes exercem poder sobre todas as instituições do Estado, sendo a figura mais poderosa do país.
Assim, o aiatolá é uma figura de síntese entre religião, ética, direito e política. Seu papel histórico reflete a particularidade do xiismo em construir um sistema onde os estudiosos da fé também são, muitas vezes, os líderes da sociedade.
