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O que se sabe sobre Pedro Álvares Cabral?

O que se sabe sobre Pedro Álvares Cabral

Pedro Álvares Cabral, o navegador português que liderou a expedição responsável pelo “descobrimento” do Brasil em 1500, é uma figura envolta em curiosidades que vão além dos livros didáticos. Sua vida guarda episódios pouco conhecidos, como sua provável educação refinada na corte de Dom João II, o misterioso desvio de rota que o levou às terras brasileiras e até disputas e silêncios históricos sobre seus feitos após o retorno a Portugal. Conhecer essas curiosidades é mergulhar em uma história de navegadores, política e enigmas da Era das Grandes Navegações.

Quem eram os tripulantes das embarcações de Cabral?

A frota de Pedro Álvares Cabral que partiu de Lisboa em 9 de março de 1500 era composta por aproximadamente 1.500 homens, distribuídos em 13 embarcações — sendo 10 naus e 3 caravelas. Entre os tripulantes estavam navegadores experientes, soldados, escribas, intérpretes, religiosos (incluindo oito frades franciscanos), comerciantes e até degredados (pessoas enviadas para o exílio como punição por crimes menores, usados como intermediários com os indígenas).

Um dos nomes mais importantes a bordo era o do escrivão Pero Vaz de Caminha, que ficou responsável por relatar oficialmente a descoberta. Outro personagem notável era Bartolomeu Dias, experiente navegador que já havia contornado o Cabo da Boa Esperança em 1488. A tripulação também incluía artesãos, grumetes e marinheiros comuns. Todos foram preparados para uma viagem longa e perigosa rumo às Índias, e ninguém sabia que fariam história ao tocar terras até então desconhecidas pelos europeus: o Brasil. Foi uma missão tanto comercial quanto diplomática e religiosa.

O que as caravelas traziam a bordo?

As embarcações levavam suprimentos para uma longa viagem pelo Atlântico e pelo oceano Índico, já que o objetivo principal da expedição era alcançar as Índias e estabelecer relações comerciais. A bordo havia alimentos secos (como biscoitos de farinha, carne salgada e leguminosas), água potável em tonéis, armas (canhões, arcabuzes, espadas e lanças), instrumentos de navegação (astrolábios, quadrantes, bússolas, mapas), objetos de troca e presentes para os povos que encontrassem, como espelhos, tecidos, contas coloridas e sinos.

Também levavam estruturas desmontáveis para erguer acampamentos e um pequeno altar para missas. Os frades tinham o objetivo de evangelizar os povos locais, então transportavam crucifixos, cálices e livros religiosos. Como parte da estratégia portuguesa de conquista e diplomacia, as embarcações levavam cartas reais e bandeiras do Reino de Portugal. Cabral não partiu em missão exploratória, mas sua frota estava preparada para lidar com situações inesperadas. Quando chegaram ao Brasil, foi com esse aparato que fizeram os primeiros contatos com os indígenas.

Cabral voltou imediatamente para Portugal?

Após chegar ao que hoje é o sul da Bahia em 22 de abril de 1500, Cabral permaneceu por cerca de dez dias nas novas terras. Ele não retornou de imediato a Portugal — seu destino final ainda eram as Índias. Depois de explorar e tomar posse da terra em nome do rei Dom Manuel I, Cabral mandou uma das caravelas retornar a Lisboa para levar a notícia do “achamento” e a carta de Pero Vaz de Caminha. Enquanto isso, ele seguiu viagem rumo ao oriente, contornando o continente africano.

A travessia foi difícil: perdeu várias embarcações em uma tempestade e enfrentou conflitos em Calicute, na atual Índia, onde muitos tripulantes foram mortos. Após negociações e trocas comerciais, Cabral finalmente retornou a Portugal em 1501, um ano após a partida. Ao chegar, relatou não apenas os eventos na Índia, mas também o achamento de novas terras a oeste, que ele descreveu como férteis, povoadas e com grande potencial para a Coroa portuguesa.

O que Pedro Álvares Cabral contou ao rei de Portugal?

Ao retornar a Lisboa, Pedro Álvares Cabral apresentou ao rei Dom Manuel I um relato detalhado sobre a nova terra encontrada a oeste do Atlântico. A carta de Pero Vaz de Caminha foi lida na corte e causou entusiasmo, especialmente por descrever um território exuberante, com vegetação rica, clima ameno e povoações indígenas que, segundo o escrivão, eram pacíficas e curiosas. Cabral afirmou que a terra descoberta poderia servir como entreposto, território de expansão e até uma possível fonte de riquezas ainda por explorar.

Ele destacou a localização estratégica, os bons portos naturais e o potencial agrícola da região. Além disso, ressaltou a oportunidade de evangelização dos habitantes nativos. A nova terra foi chamada inicialmente de “Terra de Vera Cruz”, e posteriormente “Brasil”, devido à abundância do pau-brasil. A descoberta ampliou os domínios portugueses, consolidou o prestígio de Cabral e reforçou os objetivos expansionistas da Coroa lusitana, que logo organizaria novas expedições para explorar e ocupar a região.

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