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Lado oculto da Lua: por que sempre vemos a mesma face

Lado oculto da Lua: por que sempre vemos a mesma face
Foto: Pexels

Desde a Terra, nós só conseguimos ver uma única face da Lua. Isso acontece porque o satélite natural da Terra está em rotação sincronizada com o nosso planeta. Esse fenômeno é chamado de rotação síncrona ou acoplamento gravitacional. Em outras palavras, o tempo que a Lua leva para girar em torno de si mesma é exatamente o mesmo que ela leva para completar uma volta ao redor da Terra: cerca de 27 dias. Esse equilíbrio faz com que o mesmo lado da Lua esteja sempre voltado para nós.

A gravidade da Terra desempenhou um papel crucial para que isso acontecesse. Milhões de anos atrás, a Lua girava mais rapidamente sobre seu eixo, mas, com o tempo, as forças gravitacionais da Terra criaram marés lunares que agiram como um freio, diminuindo gradualmente a rotação do satélite. Quando a rotação e a translação se igualaram, esse estado se estabilizou. Hoje, essa relação permanece constante, o que nos impede de ver o “lado oculto” da Lua diretamente do solo terrestre.

Lado oculto, mas nem sempre

Embora usemos com frequência o termo “lado oculto da Lua”, ele pode ser enganoso. A face não visível não está sempre escura — ela também recebe luz solar, dependendo da fase lunar. A expressão correta seria “lado afastado da Lua”, pois ele está apenas virado para o lado oposto da Terra. Esse hemisfério só foi observado pela primeira vez em 1959, quando a sonda soviética Luna 3 o fotografou durante a corrida espacial.

Curiosamente, o lado visível da Lua é relativamente plano e possui várias “maria” (palavra em latim para mares), que são regiões escuras formadas por antigos fluxos de lava. Já o lado afastado é muito mais montanhoso e cheio de crateras. Os cientistas ainda estudam por que há essa diferença tão marcante entre as duas faces, mas acredita-se que a crosta lunar seja mais espessa no lado oposto, dificultando a formação de mares.

Lua mapeada

Hoje em dia, com sondas espaciais e satélites, conseguimos explorar e mapear toda a superfície lunar. Missões como a Chang’e 4, da China, pousaram no lado afastado, revelando mais sobre sua composição e topografia. Esse avanço tecnológico eliminou o mistério visual que durante séculos envolveu essa parte da Lua, mas o fascínio pelo lado que nunca vemos a olho nu permanece.

Portanto, a razão pela qual sempre vemos o mesmo lado da Lua é um fenômeno natural resultado do equilíbrio gravitacional entre a Terra e seu satélite. É uma bela dança cósmica que mantém a Lua fielmente voltada para nós, revelando apenas metade de sua história — e nos lembrando que o Universo ainda guarda muitos segredos, mesmo tão próximos de nós.

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