O Papa João Paulo I, nascido Albino Luciani, foi eleito papa em 26 de agosto de 1978, sucedendo o Papa Paulo VI. Seu pontificado foi o mais breve do século XX, durando apenas 33 dias, até sua morte repentina em 28 de setembro de 1978. Apesar do curto tempo à frente da Igreja, João Paulo I deixou uma marca profunda, sendo lembrado como o “Papa do Sorriso”, por sua humildade, simplicidade e carisma.
Desde o início, João Paulo I optou por quebrar protocolos. Foi o primeiro papa a adotar um nome duplo, homenageando seus dois predecessores: João XXIII e Paulo VI. Recusou a coroa papal, não quis ser carregado na sedia gestatória e evitava o uso de tons imperiais. Seu estilo pastoral era direto, acessível e fortemente pastoral, algo que agradava ao povo, mas provocava desconforto em setores mais conservadores da Cúria Romana.
Um papa reformista
Durante seus 33 dias de pontificado, João Paulo I não chegou a publicar encíclicas, mas sinalizou profundas intenções de reforma. Mostrou-se preocupado com temas sociais, combate à corrupção no Vaticano, à ostentação clerical e à administração do Banco do Vaticano — que, na época, estava mergulhado em escândalos financeiros envolvendo personagens como o arcebispo Paul Marcinkus e figuras como Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano.
Foi exatamente essa disposição para promover mudanças que alimentou teorias e mistérios em torno de sua morte. Oficialmente, o Vaticano informou que o papa faleceu de infarto agudo do miocárdio durante o sono, sendo encontrado sem vida na manhã do dia 29 de setembro por uma freira da casa papal. No entanto, diversos pontos dessa narrativa oficial foram alvo de questionamentos.
Primeiramente, houve contradições na comunicação da Santa Sé. Inicialmente, disseram que o corpo foi encontrado pelo secretário, depois mudaram para uma freira, e mais tarde para outro funcionário. Havia também inconsistência sobre se João Paulo I estava com óculos e documentos nas mãos, como foi dito inicialmente.
Além disso, nenhuma autópsia foi realizada, sob a justificativa de respeito à tradição e ao corpo papal, o que aumentou os rumores. Surgiram suspeitas de que João Paulo I poderia ter sido envenenado ou que houve negligência médica. Alguns autores sugerem que ele teria morrido pouco após anunciar mudanças administrativas que afetariam interesses poderosos dentro do Vaticano.
As teorias sobre a morte de João Paulo I
As teorias da conspiração ganharam força com a publicação do livro Em Nome de Deus (1984), de David Yallop, que alegava que o papa foi morto devido à sua intenção de limpar as finanças do Vaticano e remover figuras envolvidas em corrupção. A Santa Sé sempre negou essas alegações, reafirmando que o papa sofreu morte natural.
Em 2021, o papa Francisco aprovou um milagre atribuído a João Paulo I, abrindo caminho para sua beatificação, que ocorreu em 2022. Apesar do mistério que envolve sua morte, João Paulo I permanece na memória da Igreja como um sinal de humildade, esperança e possível renovação — interrompida de forma inesperada.
