Manuel II foi o último rei de Portugal, um jovem monarca que subiu ao trono em circunstâncias trágicas e viu seu reinado chegar ao fim em menos de três anos. Nascido em 15 de novembro de 1889, em Lisboa, era o segundo filho do rei Carlos I e da rainha Amélia de Orleães.
Como não era o herdeiro direto, sua infância foi relativamente tranquila, longe do peso da sucessão. No entanto, tudo mudou drasticamente em 1º de fevereiro de 1908, quando seu pai e seu irmão mais velho, o príncipe Luís Filipe, foram assassinados em Lisboa, num atentado conhecido como o Regicídio.
Rei aos 18 anos
Aos 18 anos, Manuel tornou-se rei em meio a uma crise política profunda. O país vivia uma forte instabilidade, marcada por tensões entre a monarquia e os movimentos republicanos, além de dificuldades econômicas e acusações de corrupção no governo.
Apesar de jovem e inexperiente, Manuel tentou implementar reformas e formar um governo mais moderado, buscando reconciliar as diversas forças políticas. No entanto, suas iniciativas foram insuficientes para conter o avanço do republicanismo.
Manuel II: um rei exilado
Em 5 de outubro de 1910, um movimento revolucionário eclodiu em Lisboa, liderado por militares e apoiado por setores da população urbana. A monarquia foi abolida e a Primeira República Portuguesa foi proclamada. Sem apoio suficiente para resistir, Manuel II partiu para o exílio, primeiro para Gibraltar e depois para Inglaterra, onde se estabeleceu na cidade de Richmond, próximo a Londres.
Durante o exílio, Manuel viveu de forma discreta, afastado da política ativa. Embora não tenha abdicado formalmente do trono, nunca tentou recuperar o poder por meio de ações militares ou conspiratórias. Em vez disso, dedicou-se a atividades intelectuais, ao colecionismo e à beneficência.
Era um homem culto, com gosto por livros e arte, e publicou algumas obras sobre história e bibliografia portuguesa. Em 1913, casou-se com Augusta Vitória de Hohenzollern, mas o casal não teve filhos, encerrando assim a linha direta da dinastia de Bragança.
Estado Novo de Salazar
Apesar da distância, Manuel manteve certo contato com Portugal e acompanhava com interesse os acontecimentos políticos do país. Durante a década de 1920, houve tentativas de aproximação entre monárquicos e republicanos moderados, mas nenhuma se concretizou de forma efetiva. Com a chegada do regime ditatorial do Estado Novo, liderado por Salazar, a monarquia permaneceu uma causa marginal.
Manuel II morreu subitamente em 2 de julho de 1932, aos 42 anos, em sua casa em Twickenham, vítima de edema da glote. Seu corpo foi trasladado para Portugal em 1932, com autorização do governo, e sepultado no Panteão Real de São Vicente de Fora, em Lisboa. Assim, encerrava-se a história da monarquia portuguesa, com um rei que governou pouco, mas que entrou para a história como o último soberano de uma nação com mais de 800 anos de tradição monárquica.
