O Brasil se despede de um dos maiores nomes da dramaturgia nacional. Francisco Cuoco, ator consagrado por décadas de atuações marcantes na televisão, teatro e cinema, faleceu nesta quinta-feira (19/06), aos 91 anos, deixando um legado profundo na cultura popular brasileira. Com uma carreira iniciada nos anos 1960, Cuoco se tornou símbolo de talento, elegância e presença cênica, atravessando gerações como protagonista de grandes obras da teledramaturgia.
Nascido em São Paulo, em 1933, Francisco Cuoco cursava Direito quando decidiu mudar o rumo de sua vida ao descobrir a paixão pelas artes cênicas. Formado pelo Teatro Tablado, logo chamou atenção por seu porte aristocrático, voz marcante e capacidade de encarnar personagens complexos. Sua estreia na TV foi na década de 1960, mas foi nos anos 1970 que ele se consolidou como um dos galãs mais admirados do país.
A carreira de Francisco Cuoco
Ao longo de sua trajetória, Cuoco protagonizou novelas históricas da TV Globo como Selva de Pedra, O Astro e Pecado Capital. Nestes papéis, revelou uma versatilidade admirável, transitando com naturalidade entre o drama, o romance e a tensão psicológica. Sua atuação como Herculano Quintanilha, em O Astro (1977), marcou uma era, ajudando a redefinir o perfil do herói nas telenovelas brasileiras.
Mais do que um rosto bonito, Cuoco sempre buscou papéis que exigissem profundidade emocional e envolvimento intelectual. Atuou também em adaptações literárias como Gabriela, Memórias de um Gigolô e Riacho Doce, mostrando seu apreço pela boa literatura e por personagens que explorassem as contradições humanas. Sua voz, dicção impecável e presença magnética tornaram-no também uma referência para atores iniciantes.
Mesmo com o passar dos anos e a chegada de novos nomes na televisão, Francisco Cuoco manteve-se ativo. Participou de produções contemporâneas como Celebridade, Belíssima e Amor à Vida, onde mostrou que ainda era capaz de surpreender o público e manter sua relevância artística. Foi também um dos raros atores que conseguiram transitar com igual prestígio entre TV aberta, teatro e cinema.
O legado
Fora dos palcos, Cuoco era conhecido por sua discrição, elegância e defesa da valorização cultural. Evitava a exposição exagerada, preferindo concentrar sua imagem na força de seus personagens. Foi um defensor da arte como ferramenta de transformação social e sempre acreditou no poder das novelas para provocar reflexão e diálogo no grande público.
Francisco Cuoco deixa um legado que vai além dos personagens. Ele ajudou a construir a identidade da telenovela brasileira como um gênero respeitado, sofisticado e profundamente popular. Seu rosto, sua voz e sua entrega artística permanecerão vivos na memória afetiva de milhões de brasileiros. É impossível falar da história da televisão sem mencionar sua contribuição monumental.
Sua morte encerra um ciclo de ouro da dramaturgia nacional, mas seu nome está eternizado na galeria dos grandes mestres da interpretação. Francisco Cuoco não foi apenas um ator: foi um pilar da cultura brasileira, um artista que soube atravessar o tempo com dignidade, talento e paixão pela arte.
