HiperHistóriaHistória390: Santo Ambrósio impede a entrada de Teodósio I na igreja

390: Santo Ambrósio impede a entrada de Teodósio I na igreja

Em maio de 390, a cidade de Tessalônica estava em plena agitação, as ruas cheias de pessoas animadas indo em direção ao hipódromo. Dizem que uma corrida de bigas organizada pelo magnânimo imperador Teodósio I ocorria por lá. Este último sabia bem o quanto os cidadãos amavam as corridas e os condutores de carros de guerra que, com seus corpos esculturais e olhares penetrantes, pareciam quase heróis da Ilíada.

Algum tempo antes da corrida, porém, ocorreu um acontecimento grave, tanto do ponto de vista humano quanto político: o general Buterico prendeu um dos melhores cocheiros da cidade por motivos pouco claros e recusou o pedido da multidão para permitir a participação do atleta na corrida. Após esta recusa, parte da multidão atacou Buterico e o linchou brutalmente.

A reação de Teodósio

Para Teodósio, a morte do general representava um grave ato de insubordinação e, portanto, deveria ser punida de forma exemplar, garantindo que as consequências desse ato servissem de alerta para o futuro. O que Teodósio fez, no entanto, não pode ser visto como um ato de justiça, mas deve ser inevitavelmente considerado uma vingança cega e injustificável.

Quando o hipódromo ficou cheio de espectadores, por ordem do imperador, os soldados bloquearam todas as saídas e começaram um massacre implacável.

Todos os presentes, cerca de 7.000, morreram e não é difícil imaginar os gritos de partir o coração dos espectadores que se tornaram vítimas, nem os rostos incrédulos daqueles que tinham ido assistir a uma corrida e acabaram se tornando os tristes protagonistas de um espetáculo aberrante.

A raiva de Teodósio era dirigida contra um grande número de pessoas inocentes, culpadas apenas por não terem compreendido a armadilha preparada por seu imperador.

A resposta de Santo Ambrósio

Ambrósio, bispo de Milão, ao tomar conhecimento dos fatos, expressou sua total desaprovação por um ato tão atroz cometido quem se dizia “cristão”. Em uma carta endereçada ao próprio Teodósio, Ambrósio excomungou o imperador e adotou uma atitude intransigente, mas ao mesmo tempo misericordiosa: o imperador seria bem-vindo de volta pela Igreja e só poderia receber seus sacramentos após a humilhação de sua alma diante de Deus.

O historiador Teodoreto de Ciro, em sua História Eclesiástica, chegou a afirmar que quando Teodósio se apresentou na igreja em Milão, o bispo o impediu de entrar e o repreendeu abertamente porque ele ainda não havia percebido a gravidade de suas ações.

Na época desses eventos, Teodoreto era apenas uma criança e sua história descrevendo Ambrósio impedindo fisicamente Teodósio de entrar na Igreja parece hoje ser uma lenda e não uma verdade histórica. É certo, porém, que Teodósio, meses depois, teve que se arrepender publicamente de seu gesto, tanto que Ambrósio, em seu discurso fúnebre pela morte do imperador, elogiou a humildade de Teodósio que se prostrou diante do bispo e chorou publicamente.

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