HiperHistóriaNotíciasJoão Paulo II: há 20 anos morria o papa polonês

João Paulo II: há 20 anos morria o papa polonês

No final de março de 2005, o estado de saúde de João Paulo II se agravou consideravelmente. O papa, que há anos enfrentava o Mal de Parkinson, passou a sofrer com infecções e complicações respiratórias.

Em 30 de março, perdeu a capacidade de falar, agravando a comoção entre os fiéis. O Vaticano confirmou que ele havia recebido a Unção dos Enfermos, sinalizando que sua condição era crítica.

Os últimos momentos de João Paulo II

João Paulo II: há 20 anos morria o papa polonês

No dia 1º de abril de 2005, João Paulo II entrou em uma fase irreversível de declínio. Os médicos relataram uma grave falência múltipla dos órgãos, e a Santa Sé anunciou que o papa estava consciente, mas muito fraco. Apesar das dificuldades, permaneceu em oração e até escreveu um bilhete pedindo que os fiéis continuassem a acompanhá-lo espiritualmente.

Na tarde de 2 de abril, João Paulo II entrou em coma. Às 21h37, horário de Roma, o Vaticano confirmou o falecimento do pontífice. O secretário de Estado do Vaticano, Ângelo Sodano, e os cardeais presentes prestaram suas últimas homenagens, enquanto milhões de fiéis ao redor do mundo choravam a perda de um dos papas mais carismáticos da história.

O anúncio da morte na Praça de São Pedro

Minutos após o falecimento, o cardeal argentino Leonardo Sandri fez o anúncio oficial na Praça de São Pedro: “Nosso amado Santo Padre João Paulo II voltou à Casa do Pai”. A notícia foi recebida com lágrimas, orações e um silêncio respeitoso entre os milhares de fiéis reunidos no local.

A emoção tomou conta da multidão, que permaneceu na praça por horas. Muitos seguravam velas e rezavam pelo descanso do papa. Líderes religiosos e políticos de todo o mundo enviaram mensagens de condolências, reconhecendo a importância de João Paulo II na história contemporânea.

João Paulo II: há 20 anos morria o papa polonês
O Papa João Paulo II jaz em repouso na Basílica de São Pedro – Foto: Domínio Púiblico

O relato do cardeal Dziwisz sobre a morte de Wojtyla

Em “Uma vida com Karol”, o então secretário particular de João Paulo II, o cardeal Stanislaw Dziwisz, em parceria com o jornalista Gian Franco Svidercoschi, revelou os momentos finais do papa:

“Por volta das 19 horas o Santo Padre entrou em coma. o quarto só estava iluminado com uma pequena vela acesa, que o próprio Papa tinha benzido no dia 2 de fevereiro para a festa da Candelora (Festa de Nossa Senhora das Candeias). A praça São Pedro e todas as ruas vizinhas começaram a se encher. Havia sempre mais gente e, sobretudo, havia sempre mais jovens. Seus gritos — ‘João Paulo!’, ‘Viva o Papa!’ — chegavam até o terceiro andar. Tenho certeza de que ele também os escutou. Não podia não escutar! Agora já eram quase 20 horas, e repentinamente senti dentro de mim como uma ordem categórica: devia celebrar a Missa! E comecei a fazer isso, junto ao cardeal Jaworski, ao arcebispo Rylko e a dois sacerdotes poloneses, Styczen e Modrzycki. Era a Missa da véspera do domingo da Divina Misericórdia, uma solenidade tão querida pelo Papa. O Evangelho era sempre o de João: Jesus chegou, parou no meio deles e disse ‘A Paz esteja convosco!’ Na Comunhão, consegui lhe dar, como viático, algumas gotas do preciosíssimo sangue de Jesus. Eram 21h37. Percebemos que o Santo Padre tinha parado de respirar. Mas somente naquele exato momento ‘vimos’ no monitor que seu grande coração, depois de ter continuado a bater por alguns instantes, havia parado. O doutor Buzzonetti se inclinou sobre ele e, levantando apenas o olhar, murmurou: ‘Foi para a morada do Pai’. Alguém, nesse ínterim, tinha parado os ponteiros do relógio naquele horário. E nós, como se tivéssemos decidido todos juntos, começamos a cantar o Te Deum. Não o Réquiem, porque não era um luto, mas o Te Deum, como agradecimento a Deus pela graça que nos dera, a graça da pessoa do Santo Padre, de Karol Wojtyla”.

Os nove dias de luto e o funeral do papa

Após a morte de João Paulo II, teve início o tradicional período de nove dias de luto, chamado “Novemdiales”. Durante esse tempo, uma série de missas e cerimônias foi realizada em sua homenagem. O corpo do papa foi exposto na Basílica de São Pedro, permitindo que milhares de fiéis prestassem suas últimas homenagens.

O funeral de João Paulo II aconteceu no dia 8 de abril de 2005. A cerimônia foi conduzida pelo cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

João Paulo II: há 20 anos morria o papa polonês
Missa Exequial – Foto: Ricardo Stuckert

Durante a missa, Ratzinger destacou o legado do papa e emocionou os presentes com suas palavras. O caixão foi carregado por doze homens até a entrada da basílica, onde foi colocado sob o olhar comovido de fiéis e líderes mundiais.

Estiveram presentes mais de 200 líderes de Estado, incluindo presidentes, primeiros-ministros e membros da realeza, tornando-se um dos maiores funerais da história. Milhões de pessoas ao redor do mundo acompanharam a cerimônia pela televisão, demonstrando a imensa influência e carinho que João Paulo II conquistou ao longo de seu pontificado.

Após a missa, o caixão foi levado à cripta da Basílica de São Pedro, onde foi sepultado em uma cerimônia privada. O túmulo simples, com uma lápide de mármore branco, tornou-se um dos locais mais visitados do Vaticano.

O legado de João Paulo II

O impacto da morte de João Paulo II foi tão grande que, poucos meses depois, iniciou-se o processo de sua beatificação. Em 2011, o papa Bento XVI, sucessor de João Paulo II, proclamou-o beato, reconhecendo sua santidade. Em 2014, foi canonizado pelo Papa Francisco, tornando-se oficialmente São João Paulo II.

O mundo se despediu de um dos papas mais influentes da história moderna, mas seu legado continua vivo na fé dos milhões de católicos que o admiravam. João Paulo II não foi apenas um líder religioso, mas também um defensor incansável da paz, da dignidade humana e da liberdade.

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