Salvador, a primeira capital do Brasil, foi fundada em 29 de março de 1549 por Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral do país. A cidade foi planejada pelos portugueses para ser o centro administrativo e militar da colônia, garantindo a defesa do território contra invasões estrangeiras e fortalecendo o controle sobre a nova terra. O local escolhido foi a Baía de Todos-os-Santos, uma região estratégica para o comércio e a navegação.
A chegada de Tomé de Sousa foi acompanhada por uma grande expedição com cerca de mil pessoas, incluindo soldados, artesãos e religiosos. A cidade começou a ser construída com uma estrutura planejada, seguindo os moldes das cidades portuguesas, e logo se tornou um ponto central para o crescimento econômico e social do Brasil Colônia.
A construção da cidade
Desde sua fundação, Salvador foi pensada como uma cidade fortificada. Ela foi dividida entre a Cidade Alta, onde ficavam os prédios administrativos e religiosos, e a Cidade Baixa, destinada ao comércio e ao porto. Essa divisão ainda pode ser vista nos dias de hoje, refletindo a organização original da cidade.

A religiosidade teve um papel essencial no desenvolvimento de Salvador, e a cidade se tornou conhecida por suas inúmeras igrejas. Entre as mais famosas está a Igreja de São Francisco, com sua impressionante decoração barroca coberta de ouro. Outra importante construção é a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, um dos principais símbolos da fé baiana, conhecida pelas tradicionais fitinhas coloridas que os fiéis amarram nos portões pedindo proteção e bênçãos.
Escravidão e o papel do Pelourinho na história
Durante o período colonial, Salvador se tornou um dos principais centros do tráfico negreiro no Brasil. Milhares de africanos foram trazidos para a cidade, muitos deles trabalhando nas lavouras de cana-de-açúcar e em serviços domésticos. Esse período deixou marcas profundas na cultura e na identidade da cidade, influenciando sua música, dança, culinária e religião.
O Pelourinho, um dos bairros mais icônicos de Salvador, tem seu nome derivado do local onde os escravizados eram castigados publicamente. Com o passar dos séculos, o Pelourinho se transformou em um importante centro cultural e turístico, preservando sua arquitetura colonial e se tornando palco de manifestações artísticas, especialmente ligadas à cultura afro-brasileira.
Salvador: berço da cultura, música e gastronomia
Hoje, Salvador é um dos maiores centros culturais do Brasil. A cidade é conhecida por seu carnaval vibrante, o mais famoso do mundo, que atrai milhões de turistas todos os anos. Além disso, a música baiana, com ritmos como o axé e o samba-reggae, é um dos maiores símbolos culturais da região.
A gastronomia também é um dos pontos fortes da cidade, com pratos típicos que refletem a forte influência africana. O acarajé, bolinho de feijão-fradinho frito no azeite de dendê e recheado com vatapá, camarão e salada, é um dos maiores símbolos da culinária baiana. Além de saboroso, o acarajé tem uma forte ligação com as religiões de matriz africana, sendo oferecido em rituais do candomblé.
Com sua história rica, cultura vibrante e uma gastronomia irresistível, Salvador continua sendo um dos destinos mais fascinantes do Brasil. A cidade que nasceu para ser a primeira capital do país segue encantando visitantes de todo o mundo, mantendo vivas suas tradições e seu espírito acolhedor.
A desigualdade social
Salvador, apesar de sua riqueza cultural e histórica, é uma das cidades mais desiguais do Brasil. A desigualdade social é marcante, com bairros luxuosos como Vitória e Barra coexistindo com inúmeras comunidades carentes e favelas, onde falta acesso a serviços básicos como saneamento, saúde e educação de qualidade.
Grande parte da população negra, que compõe mais de 80% dos habitantes da cidade, vive nessas áreas periféricas, como Subúrbio Ferroviário, Nordeste de Amaralina e Plataforma, enfrentando violência, desemprego e exclusão social. Essa segregação espacial reflete séculos de abandono e racismo estrutural, já que muitas dessas comunidades surgiram a partir de antigos quilombos ou áreas ocupadas por famílias negras após a abolição da escravidão, sem políticas efetivas de inclusão.
A população negra de Salvador, embora seja maioria e tenha grande influência na cultura local, ainda sofre com as consequências da marginalização histórica. Enquanto o turismo explora a herança afro-baiana no Pelourinho, muitas comunidades pobres, majoritariamente negras, permanecem invisibilizadas.
Favelas como as do Alto das Pombas e Rio Sena enfrentam altos índices de violência, muitas vezes ligados ao tráfico de drogas e à falta de oportunidades. Apesar de iniciativas sociais e de movimentos negros que lutam por direitos e visibilidade, a desigualdade em Salvador ainda é um desafio enorme, mostrando como o passado escravocrata e o racismo ainda moldam as estruturas da cidade hoje.
A beleza e a resistência da cultura baiana contrastam com a dura realidade de quem vive à margem, evidenciando a necessidade de políticas públicas mais eficazes para reduzir as disparidades.
Conheça as curiosidades da capital da Bahia:
- Primeira capital do Brasil
Salvador foi a primeira capital do Brasil, de 1549 até 1763, quando o título foi transferido para o Rio de Janeiro. - Fundação por Tomé de Sousa
A cidade foi fundada em 29 de março de 1549 por Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral do Brasil, enviado pela Coroa Portuguesa. - Maior porto do Hemisfério Sul no século XVI
Salvador foi um dos principais centros do comércio atlântico, especialmente no tráfico de escravizados, e seu porto era um dos mais movimentados do mundo na época colonial. - Primeira catedral do Brasil
A Igreja da Sé, construída em 1552, foi a primeira catedral do Brasil. Infelizmente, ela foi demolida no século XX, e hoje a Catedral Basílica de Salvador (antiga igreja dos Jesuítas) ocupa esse papel. - Primeira universidade do país
A Universidade do Brasil (hoje Universidade Federal da Bahia – UFBA) foi criada em 1808, sendo a primeira instituição de ensino superior do país. - Revolta dos Búzios (1798)
Também conhecida como Conjuração Baiana, foi uma revolta popular que defendia a independência do Brasil, o fim da escravidão e a igualdade racial, liderada por pessoas como João de Deus e Luís Gonzaga das Virgens. - Primeiro elevador urbano do mundo
O Elevador Lacerda, inaugurado em 1873, foi o primeiro elevador urbano do mundo e ainda hoje é um dos cartões-postais da cidade. - Maior população de afrodescendentes fora da África
Salvador é a cidade com a maior porcentagem de população negra no Brasil, herança de séculos de escravidão e da forte cultura afro-baiana. - Primeira igreja negra das Américas
A Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, foi construída por irmandades de africanos escravizados e libertos no século XVIII e ainda hoje é um símbolo de resistência cultural. - Carnaval mais antigo do Brasil
O Carnaval de Salvador é considerado o mais antigo do país, com registros desde o século XVIII, e hoje é um dos maiores festivais de rua do mundo, famoso pelos trios elétricos.