Um estudo publicado no mês passado, no periódico Current Biology revelou que larvas de moscas da montanha desenvolveram rostos falsos em seus traseiros como um disfarce engenhoso para se infiltrar em colônias de cupins.
Pesquisadores avistaram os rostos falsos, que lembram cabeças de cupins, na parte traseira de uma larva de mosca varejeira até então desconhecida que vive nas montanhas do Marrocos.
O jogo da imitação
Esses rostos são parte de uma estratégia de imitação extrema que engana cupins colhedores (Anacanthotermes ochraceus) fazendo-os pensar que as larvas de mosca são parte de sua colônia.
Os cupins soldados geralmente matam os intrusos da colônia no local, mas larvas disfarçadas vivem entre os soldados sem problemas e têm acesso total à câmara de alimentos do cupinzeiro. O disfarce é tão bom que os cupins parecem até mesmo limpar as larvas astutas.
A larva disfarsada
Pesquisadores descobriram as larvas de duas faces por acaso enquanto procuravam formigas na cordilheira Anti-Atlas, no sul do Marrocos. A equipe levantou uma pedra e encontrou um cupinzeiro com três das larvas de mosca nunca antes vistas dentro da colônia, explicou o autor principal do estudo, Roger Vila , cientista do Instituto de Biologia Evolutiva da Espanha, em uma declaração.
Os ninhos de cupins são habitats protegidos e ricos em alimentos para qualquer espécie astuta o suficiente para entrar. A estratégia da mosca é de integração social, o que requer adaptações morfológicas, comportamentais e fisiológicas extremas para dar certo, de acordo com o estudo.