Campeão Mundial de 1970, no México, a seleção canarinho treinada por Mário Jorge Lobo Zagallo venceu os seis jogos que disputou, marcou 19 gols e sofreu apenas sete. O time composto por Félix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Rivellino, Jairzinho, Pelé e Tostão é considerado um dos maiores de todos os tempos.
No período de maior repressão do regime militar no Brasil, com perseguições políticas, torturas e mortes de opositores, uma constelação de craques mostrava ao mundo em 1970 que a verdadeira magia do futebol vestia definitivamente as cores verde, amarela e azul.
O escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, que em 1958 relacionou o brasileiro ao “complexo de vira-lata”, se rendeu à mistura de talento, técnica e força da equipe tricampeã no México. Ele escreveu:
“Desde o paraíso, jamais houve um futebol como o nosso. Éramos uns pernas de pau, quase uns cabeças de bagre… Mas o Brasil ganhou de todo mundo andando, simplesmente andando. Com nossa morosidade genial, enterramos a velocidade burra dos nossos adversários”.
90 milhões em ação
Esse era o clima no Brasil para a disputa da Copa de 1970, a primeira transmitida pela TV em cores no país. E, depois do vexame em 66, quando fomos eliminados na primeira fase, a seleção chegou ao México com vontade de apagar a edição anterior e com um elenco recheado de craques.
Foram seis jogos e seis vitórias. Na estreia, 4 a 1 na Tchecoslováquia. A seguir, dois jogos duros. 1 a 0 em cima da Inglaterra, e 3 a 2 diante da Romênia. À partir das quartas de final, o futebol envolvente do Brasil chegou a um novo patamar. O Peru foi o primeiro rival na fase de mata-mata e foi derrotado por 4 a 2. A seguir, foi a vez dos nossos vizinhos uruguaios sucumbirem ao poderio da seleção canarinho.
O apoio dos mexicanos no Tri
Quando na partida final, 4×1 sobre a Itália, se aproximava do fim, a torcida estava em êxtase, e parte dos mexicanos presentes ao estádio Azteca, na Cidade do México, havia driblado os guardinhas, aguardando à beira do campo.
Até mesmo os policiais mexicanos vibraram, um deles, aparece sorridente, junto ao capitão Carlos Alberto, no momento de o lateral-direito erguer a Taça Jules Rimet, definitivamente conquistada pelo Brasil.
Desde então, há um sentimento de união entre brasileiros a astecas, pois o apoio de milhares de 100 mil entusiasmados irmãos, levando bandeira e tudo, foi importante para a conquista.
Foi como se o Brasil jogasse em casa, misturando-se os jogadores aos torcedores, ao apito final, despindo-se os canarinhos, ao ficarem apenas de cueca, tendo calção, meiões e camisas levados de brinde pela torcida.