Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, foi uma das figuras mais emblemáticas da história do Brasil. Sua trajetória como líder do cangaço no Nordeste entre as décadas de 1920 e 1930 é cercada de lendas e fatos marcantes. A seguir, contamos cinco histórias verdadeiras sobre Lampião que revelam diferentes facetas desse personagem fascinante.
1. A profecia do cego
Antes de entrar para o cangaço, Lampião teria recebido uma profecia de um cego que afirmava que ele se tornaria um grande líder e seria temido por muitos. O encontro aconteceu quando Virgulino ainda era jovem e vivia com sua família em Pernambuco. Dizem que a profecia o impressionou tanto que ele passou a acreditar que seu destino era se tornar um homem poderoso e vingador, o que pode ter influenciado sua decisão de se juntar ao cangaço.
2. O respeito pelos mais pobres
Apesar da violência, Lampião também era conhecido por ajudar os mais necessitados. Em diversas ocasiões, ele distribuía dinheiro e mantimentos para famílias pobres do sertão. Uma história marcante ocorreu em uma pequena vila no Ceará, onde ele ordenou que seus homens dessem comida e moedas de ouro para os moradores, garantindo que tivessem recursos para sobreviver. Essa atitude fez com que muitos o vissem como um justiceiro do povo, apesar de seus atos criminosos.
3. O encontro com Padre Cícero
Lampião admirava profundamente Padre Cícero, líder religioso de Juazeiro do Norte. Em 1926, ele visitou o sacerdote em busca de bênçãos e apoio. Padre Cícero, por sua vez, teria aconselhado o cangaceiro a abandonar a vida de crimes e seguir um caminho de redenção. No entanto, Lampião interpretou a conversa como um sinal de que estava protegido espiritualmente e continuou sua jornada como líder do cangaço.
4. A suposta patente de capitão
Um dos mistérios envolvendo Lampião é a suposta patente de capitão que ele teria recebido do governo brasileiro. Durante a Coluna Prestes, em 1926, o governo do presidente Washington Luís teria feito um acordo com Lampião para combater os revolucionários em troca do título de capitão do Exército. No entanto, após a missão fracassar, o governo negou qualquer vínculo com o cangaceiro. Até hoje, historiadores debatem a veracidade desse episódio.
5. A emboscada em Angico e a morte de Lampião
O fim de Lampião ocorreu em 28 de julho de 1938, quando ele e seu bando foram surpreendidos por uma emboscada da polícia na Grota de Angico, em Sergipe. A operação, comandada por João Bezerra, foi planejada com informações obtidas através de um informante. Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros foram mortos a tiros. Suas cabeças foram cortadas e expostas em praça pública para confirmar sua morte, marcando o fim do cangaço no Brasil.
A história de Lampião continua a fascinar gerações, sendo retratada em livros, filmes e cordéis. Sua vida, repleta de contradições, mostra como ele se tornou um ícone da cultura nordestina, amado por uns e temido por outros.