Herodes Antipas foi um governante da Galileia e da Pereia no século I. Ele tinha o título de tetrarca (governante de um quarto). Ele é amplamente conhecido hoje pelos relatos bíblicos de seu papel em eventos que levaram às execuções de João Batista e Jesus de Nazaré.
Herodes divorciou-se de sua primeira esposa Fasael, filha do rei Aretas IV de Nabateia, em favor de Herodíades, que havia sido casada anteriormente com seu meio-irmão Herodes II. De acordo com os Evangelhos do Novo Testamento, foi a condenação de João Batista a esse arranjo que levou Herodes a prendê-lo.
Herodes versus João Batista
Os Evangelhos relatam que João Batista condenou o casamento do tetrarca com Herodíades por violar a lei judaica, considerando-o incestuoso, já que Herodíades era sua sobrinha. Além disso, João também criticou o fato de ela ter sido esposa de seu irmão, o que reforça a crença de que Herodes e Herodíades se casaram enquanto Herodes II ainda estava vivo. Por outro lado, o historiador Flávio Josefo afirma que Herodes mandou prender João por temer que sua influência sobre o povo pudesse provocar uma rebelião.
João foi preso na fortaleza de Maqueronte e posteriormente executado por decapitação. Segundo os evangelistas Mateus e Marcos, Herodes Antipas relutava em ordenar sua morte. No entanto, durante um banquete de aniversário, ele ficou tão encantado com a dança da filha de Herodíades (não mencionada pelo nome nos Evangelhos, mas identificada por Flávio Josefo como Salomé) que, em um juramento impulsivo, prometeu conceder qualquer pedido dela. Instigada por sua mãe, Salomé pediu a cabeça de João Batista em uma bandeja. Diante do compromisso assumido frente aos convidados, Antipas sentiu-se obrigado a cumprir a promessa e ordenou a execução de João.

Além de desencadear seu conflito com João Batista, o divórcio de Antipas também agravou as tensões já existentes com o rei Aretas IV, relacionadas a disputas territoriais entre a Pereia e a Nabateia. Esse desentendimento resultou em uma guerra desastrosa para Herodes. O imperador Tibério chegou a ordenar uma contraofensiva romana para ajudá-lo, mas a campanha foi abandonada após a morte de Tibério em 37.
Herodes e Jesus
O evangelista Lucas relata que um grupo de fariseus alertou Jesus para fugir, pois Herodes Antipas estaria conspirando para matá-lo. Em resposta, Jesus chamou o tetrarca de “raposa” e afirmou que não fugiria de Jerusalém, pois “não pode ser que um profeta pereça longe de Jerusalém”. Além disso, Lucas atribui a Antipas um papel no julgamento de Jesus.
Segundo ele, ao saber que Jesus era galileu e, portanto, estava sob a jurisdição de Antipas, Pilatos o enviou ao tetrarca, que também se encontrava em Jerusalém na época. Inicialmente, Antipas ficou satisfeito, esperando ver Jesus realizar um milagre. No entanto, como Jesus permaneceu em silêncio diante de seus questionamentos, Herodes zombou dele e o mandou de volta a Pilatos. Lucas ainda destaca que esse episódio contribuiu para a reconciliação entre Pilatos e Herodes, apesar de sua inimizade anterior.

Em 39 d.C., Herodes Antipas foi denunciado por seu sobrinho Agripa I, que o acusou de conspirar contra o imperador Calígula. Segundo o historiador Flávio Josefo, Agripa convenceu Calígula de que Antipas havia armazenado armas em grande quantidade, sugerindo intenções rebeldes contra Roma. O imperador, desconfiado, destituiu Antipas de seu governo e o condenou ao exílio na Gália, possivelmente em Lugduno (atual Lyon). Herodíades, recusando-se a abandonar o marido, acompanhou-o no exílio. Embora os registros históricos não informem a data exata de sua morte, acredita-se que Antipas tenha falecido na obscuridade, longe do poder que um dia possuíra.